Você pensa que tem tudo decidido e resolvido.
Está envolvido numa aparente tranquilidade.
Quase não percebe que o vento começa a soprar ao longe.
A princípio é brando. Apenas toca de leve o rosto e afaga os cabelos.
Mas sua intensidade vai se revelando.
A poeira levanta e os papéis começam a voar.
Você tenta ignorar o que está acontecendo e manter tudo como estava.
Como o vento se atreve a interferir no que está organizado?
Será que fechar a cortina resolve?
Com uma espécie de risada sarcástica, ele responde à pergunta e à tentativa de afastá-lo.
Sopra forte! Bem mais forte!
Chega a atrapalhar o equilíbrio. Os cabelos embaraçam.
Manter a ordem se torna cada vez mais difícil.
Controla aqui, piora ali. Corre para cá, bagunça lá.
Você usa as últimas forças para tentar fechar a janela.
Em vão. É tarde.
Não dá mais para segurar.
Não dá mais para se segurar.
O vento ultrapassa janelas e derruba paredes.
Invade. Agita. Tumultua.
Num piscar de olhos, você está no meio de um turbilhão.
Um turbilhão que embaralha pensamentos e emoções.
A única saída é parar de resistir.
É preciso sentir.
Se entregar e aproveitar a energia da mudança.
No clima de desconcerto, buscar novos acertos.
Afinal, a ventania não dura para sempre.
Logo o vento volta a ser apenas brisa.
Mas uma coisa é certa: nada fica no lugar.
Nada mais é o mesmo.
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Um comentário:
"Me deixe cavalgar
Nos seus desatinos
Nas revoadas
Redemoinhos...
Vento, ventania
Me leve sem destino"...
Por aí mesmo Ka, o jeito eh nao resistir e se deixar levar...
Bjaooo
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